• Cicero Fernandes

Se liga malandro

Atualizado: Jun 3



É incrível como no Brasil, para uma lei “pegar”, ou seja, ser efetivamente obedecida é preciso fiscalização honesta e ostensiva. Ou seja, é lei, é obrigatório, mas cidadãos, empresários e governo, no Brasil, muitas vezes só cumprem a lei quando o fiscal bate à porta, isso quando não tentam dar aquele “jeitinho” brasileiro, pagando uma propina aqui, enrolando um fiscal ali, propagando a política da malandragem nacional, enquanto as irregularidades continuam.


Isso acontece em todos os setores da sociedade e da economia, mas nos segmentos de energia, eletricidade e iluminação, muitas vezes descumprir uma norma técnica ou uma lei pode acabar em morte. É latente essa situação no caso da norma regulamentadora do Ministério do Trabalho NR-10, onde, apesar do prazo final da norma já ter expirado, a segurança dos trabalhadores que lidam com eletricidade continua relegada a segundo plano.


Imagine, por exemplo, se a partir de hoje não usar o cinto de segurança não gerasse multas de trânsito? Será que todos continuariam a usar, pela proteção que o cinto de segurança confere?


Imagino que não, visto que muitas vezes vemos motoristas usando o cinto apenas quando passam perto de um guarda de trânsito.


Infelizmente, esse é o comportamento do brasileiro: “as leis valem para todos, menos para mim”, e o exemplo vem de cima, dos nossos governantes.


Para que essas novas obrigações e tantas outras que já existem nas áreas de energia, eletricidade e iluminação virem realidade e tragam resultados para a sociedade, será preciso muito mais que multas elevadas, fiscais honestos e muita divulgação.


De nada adianta a fiscalização se é o corruptível, se o fiscalizado só cumpre a lei quando o fiscal aparece, ou se a justiça tarda e falha.


Será que um fabricante precisa que um fiscal lhe diga que o cabo está fora de bitola ou que o brinquedo foi feito com uma droga perigosa? Será mesmo que ele não sabe o risco que submete seus consumidores apenas para economizar seus custos de produção?


A única solução para o imbróglio é, na verdade, a mais difícil e distante da nossa realidade:


Será preciso que o brasileiro deixe a malandragem de lado, se torne mais ético e mais honesto, e passe a cumprir normas, leis e regras, porque além de elas organizarem a sociedade, quando se trata de eletricidade, elas protegem a nossa vida.

Publicado na Revista Eletricidade

Dez 2007



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